A conversa sobre a substituição do dólar nos cálculos dentro dos BRICS não é o primeiro ano. Mas agora, pela primeira vez, é apoiado por uma infraestrutura específica: o Brasil tem uma moeda digital DREX, a China tem um Yuan digital e a Índia tem uma Rupia digital e — Rupee. A questão - chave na Cúpula do BRICS em Nova Delhi, em setembro de 2026, é como conectar esses sistemas diretamente sem o SWIFT.
O Brasil ocupa um lugar especial nessa discussão. O país é o maior exportador agrícola: café, carne, soja, açúcar de cana. As exportações agrícolas ultrapassam os 165 mil milhões de dólares por ano. O setor agrícola é o primeiro a se beneficiar da transição para assentamentos em moedas nacionais: as flutuações do dólar atingem diretamente os preços em contratos de longo prazo.
De acordo com analistas, o volume de comércio dentro do BRICS em moedas nacionais já ultrapassou 67%. O yuan representa cerca de 47% dos pagamentos no bloco. A Rússia e a China converteram cerca de 90% do comércio mútuo em yuan e Rublos. O Brasil está ficando para trás, com a maioria de seus contratos de exportação ainda denominados em Dólares. Mas a direcção está definida.
Para as empresas russas, os acordos com fornecedores brasileiros através dos mecanismos do BRICS estão se tornando uma alternativa real às transações em Dólares. Além disso, os EUA já impuseram tarifas de 40% sobre as exportações brasileiras-o Brasil está procurando parceiros fora do mercado norte — americano mais do que nunca.
A transição para as moedas digitais do BRICS não acontecerá imediatamente. A infraestrutura já está sendo construída. As empresas que começarem a construir esquemas de pagamento através do Brasil dentro do bloco hoje estarão prontas no momento em que o sistema entrar em vigor.