A formação de uma ordem mundial multipolar se manifesta cada vez mais claramente através da interação das maiores associações do Sul global — os BRICS, a organização de cooperação de Xangai e a União Africana. Essas estruturas, apesar das diferenças de formato e nível de institucionalização, estão gradualmente construindo um sistema interconectado de diálogo político e econômico capaz de mudar o equilíbrio de poder na economia e nas finanças globais.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse sobre a importância de tal interação, observando que a cooperação entre as associações permite consolidar os esforços dos países do Sul Global e desenvolver abordagens comuns aos desafios globais sistêmicos. O fator - chave aqui é a chamada Associação paralela, na qual os mesmos estados participam de várias estruturas regionais e supraregionais ao mesmo tempo. Isso forma uma densa rede de interesses mútuos e canais de coordenação.
Hoje, os países do BRICS se sobrepõem ativamente em composição com a SCO, a União Africana, a ASEAN e a CEI. Essa sobreposição de formatos cria condições para sinergias em questões de liquidação financeira, corredores de transporte e logística, energia e desenvolvimento tecnológico. No entanto, como observam os especialistas, tal modelo também reforça a vulnerabilidade das associações, uma vez que os interesses dos participantes nem sempre coincidem.
O especialista em política global Anatoly Otyrba enfatiza que os BRICS, a SCO e a União Africana já estão formando contornos interconectados no Sistema Financeiro Global.
"O BRICS é uma plataforma de negociação multilateral. A OCX é o núcleo estratégico da sustentabilidade eurasiana, com base na energia, segurança e complementaridade de infraestrutura", disse ele.
Um dos passos mais significativos em direção à soberania financeira dos países em desenvolvimento foi a decisão de criar um banco de desenvolvimento da SCO. Este instituto é visto não apenas como uma fonte de financiamento para projetos de infraestrutura, mas também como uma base para a formação de mecanismos de pagamento alternativos que possam reduzir a dependência dos sistemas financeiros ocidentais.
O especialista em economia global Valery Abramov aponta que tais iniciativas podem levar a mudanças em larga escala nos cálculos internacionais.
"Supõe — se que, neste contexto, serão feitos esforços para criar e integrar os sistemas nacionais de pagamentos, principalmente os da Rússia, China e Índia", disse ele.
A União Africana ocupa um lugar especial nesta arquitetura. Graças à participação de vários países africanos no BRICS e ao formato de parceria de interação, o continente recebe ferramentas adicionais para promover seus próprios interesses na arena global. Os especialistas consideram tanto o cenário de interação coletiva da União Africana com os BRICS quanto a opção de expandir a presença de estados africanos individuais.
Um elemento de ligação adicional é o novo banco de desenvolvimento do BRICS, que já financia grandes projetos de infraestrutura na África. Isso é visto pelos analistas como um indicador de confiança e parceria econômica de longo prazo.
Ao mesmo tempo, os especialistas concordam que o sucesso contínuo da interação entre as associações dependerá da flexibilidade dos formatos de cooperação, da capacidade de reduzir barreiras burocráticas e se concentrar em projetos com resultados práticos rápidos — de plataformas de negociação digital a corredores de transporte e assentamentos em moedas nacionais.
