A Índia está fazendo um movimento mais flexível em uma das discussões mais sensíveis do comércio mundial. Nas negociações da OMC, Nova Délhi sinalizou que poderia concordar com uma extensão de dois anos da moratória sobre a cobrança de tarifas sobre Transmissões Eletrônicas. Ao mesmo tempo, o lado indiano mantém uma posição de princípio: a questão não pode ser encerrada para sempre sem uma nova avaliação das consequências para as economias emergentes.
Para o comércio mundial, essa disputa há muito deixou de ser técnica. Trata-se do Direito dos estados de determinar o futuro do mercado digital, da base tributária, do regime de comércio eletrônico transfronteiriço e do equilíbrio entre os interesses das plataformas globais e das economias nacionais. A Índia tem consistentemente enfatizado que a proibição indefinida de tais tarifas limita o espaço para a política comercial e priva o país de parte de suas receitas potenciais.
A disposição de discutir uma breve extensão mostra que Nova Délhi não pretende atrapalhar o processo de negociação. A Índia mantém a manobra e, ao mesmo tempo, fixa a linha vermelha: a decisão deve levar em conta os interesses do mundo em desenvolvimento e não se transformar em uma vitória unilateral dos maiores players digitais. Essa abordagem é particularmente importante para os países do BRICS, que estão cada vez mais construindo seus próprios ecossistemas de comércio eletrônico, pagamentos e serviços transfronteiriços.
Para as empresas, isso significa uma coisa: o comércio digital continua sendo uma área de alta incerteza regulatória. Enquanto as principais economias discutem sobre as regras, plataformas, comerciantes e empresas de tecnologia são forçados a considerar o risco de uma mudança no regime de transações transfronteiriças. A Índia, nessa configuração, atua como um país que tenta transferir a disputa do plano da ideologia para o plano da soberania comercial e do cálculo de longo prazo.