O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, disse em meio a uma visita à Índia que o fortalecimento e a expansão dos BRICS podem significativamente reformatar o comércio mundial. O significado da mensagem não está no slogan "contra alguém", mas na tentativa de consolidar um modelo multipolar, no qual as regras e rotas comerciais deixam de ser derivadas de um único centro de poder.
O principal argumento de Lula é a escala da Unificação após a expansão e o envolvimento de novos participantes. É aqui que ele liga a demografia e a economia à futura posição de negociação do bloco:
"Metade da humanidade participará das atividades dos BRICS, uma parte significativa do PIB mundial estará nos BRICS. Então será possível estabelecer uma nova dinâmica nas políticas comerciais, bem como nas políticas culturais e nas relações entre os Estados".
Também é importante como Lula garante sua posição contra as acusações de "divisão econômica do mundo". Ele diz diretamente que o Brasil não quer uma nova lógica de confronto e pretende negociar com todas as principais economias:
"O Brasil não quer uma segunda guerra fria. O Brasil quer negociar com os Estados Unidos, com a China, Com a Índia, com a Rússia. Sou um defensor do livre comércio, do multilateralismo e da harmonia entre os povos", afirmou. "É por isso que sou um firme defensor dos BRICS.
Para o comércio e o transporte de mercadorias, a parte prática dessa discussão é como a "mecânica do comércio" está mudando: quais moedas e trilhos de pagamento estão sendo usados, onde as cadeias de suprimentos estão concentradas, quem define os padrões de conformidade e origem e como os países negociam o acesso a matérias-primas e Tecnologia. É sintomático que, paralelamente, a agenda Índia-Brasil discute os recursos e o crescimento do comércio mútuo — não se trata de declarações, mas de garantir futuras cadeias produtivas.
Se os BRICS realmente aumentarem a coerência nas regras comerciais e na infraestrutura de liquidação, o impacto para as empresas não será medido por declarações, mas por métricas: prazos de pagamento mais curtos em contratos externos, custos de FX mais baixos, maior previsibilidade em riscos de sanções/regulatórias e crescimento das rotas de logística direta Sul-Sul. É aí que reside a "transformação do Comércio" de que fala Lula: quando o peso de um bloco é convertido em melhores condições de acesso a mercados, recursos e financiamento — sem romper os laços com parceiros tradicionais.
